segunda-feira, 31 de agosto de 2009

C.neeon para o Brasil

Uma novidade para quem gosta da C.neeon, marca que já foi anteriormente citada neste blog. Acompanhando o crescimento cada vez mais significativo de sites de compras de roupas e acessórios pela internet, a marca - que preza pelo design e se utiliza de uma profusão de cores- resolveu aderir a mais esta opção de mercado.
Agora é possível comprar os produtos online e pedir para entregar no Brasil. Nos mesmos moldes das lojas online, é preciso se cadastrar e a partir daí incluir as peças escolhidas no carrinho.

Uma seleção de peças está disponível no site, com fotos, descrição dos produtos, preços e tamanhos. Além das coloridas camisetas, leggings, bolsas e lenços também fazem parte das categorias da página. A maioria das peças é feita com tecidos estampados que mais parecem obras de arte, ícones da marca.
O problema é que o envio para o Brasil custa caro. Bem caro. Dependendo do peso, pode-se pagar até 80 euros. Definitivamente não será dessa vez que vou me render. Mas, para quem se interessar, o design é realmente lindo e os tecidos são de extrema qualidade, - tive a oportunidade de ver a coleção passada, em Berlim - o que pode compensar bastante o alto investimento.













terça-feira, 25 de agosto de 2009

Indicação das terças: Yumi Karasumaru


Na indicação de hoje, gostaria de mostrar o belíssimo trabalho do artista japonês Yumi Karasumaru. Nascido em Osaka, Yumi estudou e desenvolveu trabalho em Bolonha, na Itália. Participou de diversas exposições e possui trabalhos expostos em galerias de arte, museus e universidades.

Yumi se volta às pessoas que encontrou ao longo do tempo e suas histórias nem sempre verdadeiras, mas carregadas de sensibilidade. Também trata de lugares por quais passou, criando uma atmosfera a qual se refere como "paisagens antropológicas". Suas pinturas revelam muito do passado com elementos de arte moderna e uma carga imensa de poesia. As cores com as quais Yumi trabalha, se não revelam ainda mais o caráter expressivo do tema, salientam a riqueza de detalhes por trás de cada objeto que escolhe.

Abaixo, uma amostra das pinturas realizadas para a exposição Atomic. Modern Times. Um tema dramático revelado em profusão de cores, que se converte em uma experiência visual profunda e comovente.


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Curiosidades

Para quem acredita que algumas coisas não tem a menor utilidade, elas realmente não tem. Mas que tal darmos uma chance à criatividade e inventarmos algo no mínimo inusitado?
É o que as imagens abaixo, retiradas do site Instructables, sugerem.

Me senti culpada de alguma forma. Mas até que pode ser bom para fazer as crianças comerem.

Luz para sinalizar enquanto pedala.

Torradas VHS? Será que existe a DVD toast?

Já sabe o que fazer com aquela calça jeans Levis que não passa mais pela perna.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Indicação das terças: Alberto Seveso

O post de hoje é para mostrar o incrível trabalho do ilustrador Alberto Seveso. O artista trabalha com uma mistura de fotografia e ilustração para criar belas imagens.
Reparem na composição fotográfica,na riqueza de detalhes e na pluralidade de elementos que se integram em um trabalho extremamente inventivo.


Esta é a minha indicação de hoje. Sem dúvida uma boa referência para aqueles que apreciam imagem.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Corset e seu valor

Aproveito o post da semana passada - sobre o uso de corset pelas prostitutas de Berlim – para mostrar o quanto a peça está em voga no cenário fashion. O corset tem aparecido com uma certa freqüência não apenas nos ensaios para revistas como a Vogue, como também em campanhas publicitárias de marcas mundialmente reconhecidas.

No Brasil, mulheres famosas aparecem em ensaios usando o acessório, de acordo com o estilo que se quer mostrar. No caso, Adriane Galisteu optou por um estilo sexy chic, com um forte batom nos lábios e uma corrente dourada nos pulsos, como complemento do visual. Galisteu passa uma idéia de mulher dominadora e incrivelmente elegante. Daniele Winits é retratada com um pouco mais de ousadia: um ar Madonna no clipe Vogue, em um cenário que lembra uma das cenas clássicas do filme Belle de Jour, de Buñuel, em que a câmera capta a personagem de Catherine Deneuve sentada na cama olhando para trás.

Aliás, vale lembrar que Madonna colocou o corset em primeiro plano e marcou com um visual sexy elegante nos anos 80 e 90. Quem não se lembra do corset de seda drapeado, de Jean Paul Gaultier, que virou ícone da cantora? E dos vários modelos da peça nas coleções de Gaultier, que circularam pelas passarelas?

Recentemente a atriz Scarlett Johansson participou de uma campanha para a marca Dolce & Gabbana em que aparece em um corset branco e de cabelos louros. A atriz é retratada como uma diva, de batom e esmalte vermelho, extremamente sensual e provocante. Sem dúvida um visual como o de Marilyn Monroe.

É possível também ver o acessório pelas ruas. Camisa social branca e calça pantalona preta é uma das inúmeras possibilidades de uso dos corsets pelas fashionistas. Outras, optam por vesti-los por cima de camisetas justas de manga comprida, com uma calça preta igualmente justa, para um visual mais para a noite. E por que não ousar com uma saia balonê de organza e um corset por dentro?

O interessante é perceber o valor de uso do corset. O valor do acessório é associado a um estilo, a uma marca, à pessoas que usam. Se as prostitutas de Berlim vestem, pode ser considerado o seu uso vulgar. No entanto, se o mundo da moda o redescobre e o torna tendência, torna-se fashion. De qualquer forma, o corset é uma peça versátil e é tendência forte. É possível criar e recriar estilos, de acordo com o seu gosto, como desejar e onde quiser.

sábado, 1 de agosto de 2009

Lascívia recatada




Quem anda pela Oranienburger Straße no fim do dia não deixa de reparar no traje de algumas mulheres, que destoa dos longos casacos, calças de lã e gorros – muitos de marca e/ou extremamente modernos - que vestem o inverno de Berlim. Um salto muito alto ou bota de PVC, um short bem curto por cima da meia-calça e uma jaqueta com corpete por cima, deixando os seios em maliciosa evidência.

Há tempos gostaria de escrever um post sobre a moda das prostitutas de Berlim. Sim, porque me chamou a atenção repentinamente, em um frio perfurante, enquanto deixava um amigo de volta ao hotel no Mitte, cena fashion de Berlim. Pensei na hora se o uso do corpete por cima da roupa, no inverno, seria algo específico daquela região ou se já fora integrada em outras. Mas, me veio à tona o fato de que, desde tempos remotos, as prostitutas já usavam corpetes por cima de vestidos.

A coluna do Joaquim Ferreira, no jornal O GLOBO desta última segunda-feira, ressaltou a volta dos corpetes, uma tendência que já vem ganhando adeptas há um tempo, além das páginas de editoriais de moda no mundo todo. Mas qual seria o real significado do corpete para estas mulheres do Mitte?

Se voltarmos ao período Rococó, veremos que os corpetes – o termo corset não apareceu antes do início do século XIX – foram utilizados para compor a silhueta dos longos vestidos da época e tornar os seios visíveis. Em 1820, a cintura fina reaparece, mas a pressão excessiva sobre o corpo feminino diminui. As silhuetas e os vestidos se modificaram do século XVIII para o XIX, e com eles os corpetes. Estes, durante o século XIX, exerciam a função de conferir às mulheres uma forma de perfeição física.Vale lembrar que essa distorção proposital do corpo perdurou até o início do século XX

Nesta época, através das fotografias de Horst e de Siefff, os corpetes apareciam de maneira poética e muito feminina, tornando-se, mais tarde, fonte de inspiração para as peças bordadas de Dolce&Gabbana. Na década de 80, com o contexto do Power Dressing, Jean Paul Gautier e Vivienne Westwood expressavam um novo estilo, com a inversão da peça de lingerie agora por cima da roupa. Gaultier inspirava-se em artistas como Richard Lindnerm e suas mulheres de corpetes. O uso do acessório se inseria, portanto, na cena fashion daquele período, com um juízo de moderno atrelado a eles.

Hoje os corpetes estão de volta, em meio a um cenário que remonta a atmosfera do burlesco, reinventando as pin-ups. Ao mesmo tempo, os corpetes caem muito bem em uma época na qual a ditadura do corpo (com o perdão do clichê) impõe um ideal de perfeição irreal e beleza artificial, como também era imperativo em 1770 com as mulheres da corte.

Paul Poiret foi o primeiro a sugerir uma nova linha fashion, com seu Hellenic Style, sem o uso de corpetes, uma vez que durante muito tempo as mulheres quiseram se libertar das amarras de um acessório apertado e incômodo. Hoje esse sentimento está ironicamente associado ao mesmo desejo, porém de forma inversa, de usar o corpete como melhor lhe convier.

Para as prostitutas do Mitte, contudo, talvez o uso dos corpetes vá além da moda. A edição de janeiro da revista alemã Exberliner revelou que os corpetes não são vistos pelas prostitutas como uniformes, mas sim como um instrumento de trabalho. De acordo com uma delas, os corpetes ajudariam a manter a postura durante o longo tempo que passam nas ruas em pé, ao mesmo tempo em que são quentes, práticos para o inverno, ao contrario do que se imagina.

Mas, como evidenciar o corpo em pleno inverno rigoroso? Acredito que, por trás desta utilidade prática e funcional, o corpete, ao evidenciar os seios e a cintura marcada, explora os atributos do corpo feminino. Através dos corpetes, as prostitutas destoam das mulheres que passam pela rua com seus sobretudos. Ao mesmo tempo, cria-se a ideia de fetiche inerente ao acessório, atraindo a atenção de sua clientela. É importante lembrar que a profissão é regulamentada na Alemanha desde 2002.

Para os homens é possível que haja, por um lado, a criação de uma personagem, poderosa, sensual ao extremo, que desperta desejo. E, por outro, um cenário romântico, onde revela-se o que não deveria estar visível, como uma lingerie, que confere às mulheres uma profusão de feminilidade muito particular.

Há quem diga que relaciona-se ao fato de Berlim ter uma importância indubitável para a construção de tendências e estilos próprios diversos. Serviria mais como uma caricatura das formas femininas, uma vez que afina a cintura e salienta os seios, do que propriamente prostituição. É bem possível que, por debaixo do manteau, muitas mulheres que andam pelas ruas de Berlim estivessem usando corpetes, com uma intenção vanguardista.

O fato é que existem boas lojas em Berlim especializadas em corpetes, com modelos de diversas épocas, cortes diferenciados e preços variados, e uma procura enorme por eles. E, certamente não apenas pelas modernas prostitutas de Berlim.